Saiba mais sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) do Brasil.
Na sua mais recente aposta em ordem e progresso, o Brasil aprovou a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A legislação visa proteger as informações pessoais e a privacidade dos cidadãos brasileiros, estabelecendo diretrizes sobre a forma como esses dados podem ser tratados e recolhidos pelas organizações. (Dica: apenas com autorização.) Ajuda a uniformizar e clarificar mais de 40 diplomas anteriores (por vezes contraditórios) que regulavam os dados pessoais e aplica-se tanto a empresas e organizações brasileiras como internacionais.
Dados pessoais: qualquer informação que identifique ou diga respeito a uma pessoa singular, como o nome, o apelido, a alcunha, o número de identificação, etc.
Titular dos dados: a pessoa a quem os dados pessoais dizem respeito.
Tratamento de dados: qualquer operação realizada com dados pessoais, como a recolha, a conservação, a utilização ou a divulgação de informações.
Responsável pelo tratamento: a pessoa responsável pelas decisões sobre a forma como os dados pessoais são utilizados ou tratados. É, em última instância, responsável pelo cumprimento ou incumprimento das normas da LGPD pela sua empresa.
Consentimento: autorização ou acordo livre e informado. Neste caso, a autorização do titular dos dados para que as suas informações sejam tratadas para uma determinada finalidade.
Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD): organismo do governo federal brasileiro encarregado de supervisionar a regulamentação, o cumprimento e a aplicação da LGPD.
Encarregados da proteção de dados: pessoa que representa a organização que trata dados pessoais e que é responsável pela comunicação entre a sua empresa, a ANPD e os titulares dos dados. Normalmente, tem formação em Direito ou em TI.
A LGPD exige que os responsáveis pelo tratamento adotem práticas técnicas e administrativas que regulem como e porquê os dados pessoais podem ser tratados (em formato eletrónico ou físico) e que protejam os dados pessoais que tratam contra acesso não autorizado, perda, alteração e/ou exposição.
Dez direitos dos titulares dos dados
A LGPD do Brasil estabelece dez direitos dos titulares dos dados, que constituem a base de todos os requisitos de tratamento impostos às empresas ou organizações:
O direito de confirmar que os seus dados foram tratados;
O direito de aceder aos seus dados;
O direito de corrigir dados incompletos, inexatos ou desatualizados;
O direito de anonimizar, bloquear ou eliminar dados desnecessários ou excessivos, ou dados que não estejam a ser tratados em conformidade com a LGPD;
O direito de transferir os seus dados para outro prestador de serviços ou fornecedor de produtos;
O direito de eliminar os dados pessoais tratados com o seu consentimento;
O direito a informações sobre as entidades públicas e privadas com as quais o responsável pelo tratamento partilhou os seus dados;
O direito a informações sobre o que acontece se recusarem o consentimento;
O direito de revogar o seu consentimento.
O direito à portabilidade dos dados, que permite ao titular solicitar uma cópia completa dos seus dados num formato utilizável pela concorrência.
Requisitos para os responsáveis pelo tratamento/organizações
A LGPD exige que os responsáveis pelo tratamento/organizações:
Nomeiem um encarregado da proteção de dados para gerir pedidos ou reclamações de clientes, cuja identidade e informações de contacto sejam públicas e claras, de preferência no seu site;
Mantenham um registo das operações de tratamento que realizam;
Informem, corrijam, eliminem, anonimizem ou transfiram dados pessoais conforme solicitado pelo titular dos dados;
Removam os dados quando a relação terminar;
Implementem medidas administrativas e de segurança para proteger a segurança dos dados contra roubo, acesso não autorizado, acidentes ou outros problemas;
Comuniquem quaisquer violações de dados aos titulares dos dados, às autoridades locais e à ANPD.
Existem dez bases legais ao abrigo das quais as empresas podem tratar dados pessoais. Os dados podem ser tratados:
Para finalidades legítimas, específicas e explícitas com as quais o titular dos dados tenha concordado;
Para cumprir uma obrigação legal ou regulamentar;
Para executar políticas públicas com base em contratos legais, acordos ou instrumentos semelhantes;
Para executar um contrato a pedido do titular dos dados (como uma compra ou transação);
Para a realização de estudos de investigação, garantindo, sempre que possível, a anonimização dos dados pessoais;
Para o exercício de direitos em processos judiciais, administrativos ou arbitrais;
Para a proteção da vida ou da integridade física do titular dos dados ou de terceiros;
Para a proteção da saúde, em procedimentos realizados por profissionais ou entidades de saúde;
Quando necessário para satisfazer os interesses legítimos do responsável pelo tratamento ou de terceiros;
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) é o organismo do governo federal brasileiro, ainda por constituir, encarregado de supervisionar a regulamentação, o cumprimento e a aplicação da LGPD. Embora esteja sob a direção do presidente, a ANPD tem poderes de decisão. Será composta por um conselho consultivo de 28 membros, dividido em vários grupos: o Conselho Diretor, o Conselho Nacional, uma Corregedoria e outras unidades especializadas em matérias jurídicas e de fiscalização.
Será responsável por:
Fornecer interpretação e orientações práticas sobre como aplicar a LGPD;
Investigar e auditar reclamações ou violações comunicadas e trabalhar com o encarregado da proteção de dados para encontrar uma solução;
Aplicar sanções por infrações relativas ao tratamento de dados;
Realizar estudos, debates públicos e audiências sobre a proteção de dados pessoais.
Antes de mais, esperar até ao último momento para cumprir a lei pode ser um erro dispendioso. O incumprimento pode resultar em coimas de até 2% da faturação no Brasil relativa ao exercício fiscal anterior, até um máximo de 50 milhões de reais por infração (aproximadamente 12,9 milhões de USD ou 11,2 milhões de EUR).
Nomeie um encarregado da proteção de dados para supervisionar o tratamento e a segurança dos dados e publique claramente o respetivo nome e informações de contacto no seu site.
Peça sempre consentimento. Seja claro e transparente sobre como e porquê os dados dos clientes são tratados e facilite a adesão ou a recusa.
Conserve os dados apenas durante o tempo necessário para processar uma transação e não mais do que isso.
Documente todo o seu processo de tratamento: como recolhe, conserva, utiliza e partilha dados pessoais? Poderá ser-lhe pedido que apresente essa documentação, pelo que é melhor tê-la preparada.
Agende auditorias regulares. As fugas de dados são extremamente dispendiosas em termos de recursos e reputação. Estar atento permite-lhe detetar erros ou agentes mal-intencionados mais rapidamente, e ser proativo é sempre preferível a ser apanhado em falta.
O RGPD aplica-se a pessoas singulares independentemente da sua residência ou nacionalidade; a LGPD não o especifica.
Encarregados da proteção de dados: a orientação geral da LGPD estabelece que qualquer organização que trate dados de residentes no Brasil precisará de um encarregado da proteção de dados (DPO). Em contrapartida, o RGPD tem requisitos específicos sobre quando é necessário um DPO.
Fundamento jurídico para o tratamento de dados: em ambas as leis, o responsável pelo tratamento tem de ter uma justificação legal para tratar as informações de um titular dos dados. Enquanto o RGPD tem seis critérios, a LGPD tem dez.
LGPD do Brasil
Lei Geral de Proteção de Dados do Brasil
Saiba mais sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) do Brasil.
Na sua mais recente aposta em ordem e progresso, o Brasil aprovou a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A legislação visa proteger as informações pessoais e a privacidade dos cidadãos brasileiros, estabelecendo diretrizes sobre a forma como esses dados podem ser tratados e recolhidos pelas organizações. (Dica: apenas com autorização.) Ajuda a uniformizar e clarificar mais de 40 diplomas anteriores (por vezes contraditórios) que regulavam os dados pessoais e aplica-se tanto a empresas e organizações brasileiras como internacionais.
Termos a conhecer sobre a LGPD do Brasil
O que faz a LGPD
A LGPD exige que os responsáveis pelo tratamento adotem práticas técnicas e administrativas que regulem como e porquê os dados pessoais podem ser tratados (em formato eletrónico ou físico) e que protejam os dados pessoais que tratam contra acesso não autorizado, perda, alteração e/ou exposição.
Dez direitos dos titulares dos dados
A LGPD do Brasil estabelece dez direitos dos titulares dos dados, que constituem a base de todos os requisitos de tratamento impostos às empresas ou organizações:
Requisitos para os responsáveis pelo tratamento/organizações
A LGPD exige que os responsáveis pelo tratamento/organizações:
Existem dez bases legais ao abrigo das quais as empresas podem tratar dados pessoais. Os dados podem ser tratados:
O que faz a ANPD
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) é o organismo do governo federal brasileiro, ainda por constituir, encarregado de supervisionar a regulamentação, o cumprimento e a aplicação da LGPD. Embora esteja sob a direção do presidente, a ANPD tem poderes de decisão. Será composta por um conselho consultivo de 28 membros, dividido em vários grupos: o Conselho Diretor, o Conselho Nacional, uma Corregedoria e outras unidades especializadas em matérias jurídicas e de fiscalização.
Será responsável por:
Quando entrou em vigor a LGPD
A lei entrará em vigor a 1 de janeiro de 2021.
As sanções por incumprimento da LGPD foram adiadas até 1 de agosto de 2021.
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Mais informações
Perguntas frequentes
Em que difere a LGPD do Brasil do RGPD da UE?
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